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  • walter tierno

Esta é a hora

Sempre digo que levantar bandeiras é uma coisa séria. Seja você um total desconhecido, eremita, ou uma celebridade, levantar uma bandeira, ou várias, é um ato que exige responsabilidade. Por acreditar nisso que pareço tão reticente em fazê-lo. A possibilidade de ser leviano me incomoda muito. Só levanto qualquer bandeira se tenho convicção da solidez da ideia sobre a qual ela será fincada e que representará.

Digo tudo isso para explicar o motivo de ter pensado muito sobre este post.

Mas senti-me impelido a dizer o seguinte: vivemos uma das maiores encruzilhadas para os administradores públicos brasileiros. Em todos os níveis. Mas se não prestarmos atenção ao que importa, gritaremos ordens vazias sob nuvens de fumaça.

1 – O rompimento das barragens da Samarco em Mariana, Minas Gerais, é uma tragédia que serve para colocar todo o sistema em cheque. Especialmente os governos federais. Sim, no plural. Serve para discutirmos a responsabilidade com que a Vale foi privatizada pelo governo do PSDB e serve para questionarmos os verdadeiros custos do desenvolvimento a qualquer preço da administração do PT. E o preço que tanto Lula quanto Dilma parecem dispostos a pagar são muito mais preocupantes do que manobras econômicas neo liberais. Desde a briga para aprovação de Belo Monte, ficou claro que os caciques do PT não têm o menor pudor em sacrificar o meio ambiente.

2 – A forma arbitrária com que o governador Geraldo Alckimin tem administrado o estado de São Paulo. Ele e seu partido estão à frente do governo estadual há tempo suficiente para serem responsabilizados pelo atraso escabroso das obras do metrô e, principalmente, pela falta de preparo para enfrentar uma estiagem há muito anunciada. Exatamente. O problema de abastecimento foi previsto há mais de dez anos.

3 – Muitos paulistanos adoram usar matemática para criticar a redução de velocidade nas marginais, uma iniciativa do prefeito Haddad. Também gostam de ridicularizar o fechamento dominical da Paulista e as ciclofaixas e ciclovias. Todas ações que se mostraram, matematicamente, importantes. Mas não vejo ninguém criticando o acordo feito entre a prefeitura e as empresas de ônibus, que resultou num fracionamento torturante das linhas. E também não é incomum a reclamação de abandono na periferia. Se queremos encontrar furos na administração municipal atual, então que façamos nos lugares certos.

4 – Outra medida para a qual a matemática paulista parece não funcionar é que o governador inventou uma relocação de estudantes e fechamento de escolas que não condiz com a reivindicação histórica da população para abertura de MAIS escolas. Não menos… Há um déficit educacional. Fato. Faltam vagas. Fato. E ele luta contra alunos e pais para FECHAR escolas? Isso sim, é totalmente desprovido de sentido! E a forma truculenta com que ele tem respondido às manifestações de professores, pais e alunos, mandando a tropa de choque para cima… é simplesmente criminoso.

5 – Eduardo Cunha e sua corja de deputados conservadores são mestres em desviar a atenção da população para suas manobras financeiras, empurrando pautas polêmicas que só visam tirar direitos e dificultar a vida das pessoas. Arrisco em dizer que não há prescedente para o retrocesso dos direitos humanos que este congresso está tentando promover. E abro aqui uma constatação: a tal “bancada evangélica” é uma nódula de anti-democracia e anti-humanismo, e que contraria qualquer preceito cristão.

6 – Aliás, a presidente Dilma está mostrando sua total falta de capacidade administrativa e política. Resolveu, num desespero para manter sua posição, abraçar Cunha. Vão afundar juntinhos…

7 – Recentemente, os caminhoneiros fizeram uma paralização geral. Não há dúvida que foram manipulados ideologica e politicamente. Mas a resposta da presidente não se encaixa na democracia. Lembra, ao contrário, as soluções encontradas pelos generais que ela um dia combateu (carma é foda…).

8 – A “politização” do brasileiro. A discussão esquerda x direita é saudável. Partidários sérios dos dois lados sabem que teorias políticas e econômicas dos adversários valem ser problematizadas e absorvidas, quando convém. O problema é que o brasileiro resolveu sair da inércia política para o ativismo sem nenhum preparo no meio. Claro que estou generalizando e exagerando, mas isso provocou absurdos como jovens ombro a ombro com torturadores do regime militar. E uma perspectiva inquietante: campo aberto para a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência. Um notório fascista, autor das pérolas mais contraditórias e assustadoras da história da política brasileira. Que figuras como ele existam não é novidade. Levy Fidelix, Éneas e outros tantos povoam o folclore político nacional. O assustador é vê-lo receber aval de tantas pessoas. Não sou partidário do maniqueismo na vida real (na ficção, até que funciona), mas tenho meus limites. Para mim, Bolsonaro é mau. E quem defende o mau só pode ser uma dessas duas coisas ou ambas: tolo e mau.

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