Buscar
  • walter tierno

Mais uma palavrinha sobre “Minha Luta”

A editora Geração Editorial vai publicar o “Minha Luta”, livro que Adolf Hitler escreveu durante o tempo em que ficou preso e que foi o principal folhetim nazista. É a bíblia do malucos…

A edição, segundo eles, é toda comentada e contextualizada.

Particularmente, mesmo assim, não sou favorável a uma publicação comercial desse livro. Compartilho da opinião de vários editores que dizem que “Minha Luta” pertence àquela categoria de livro a ser publicado de forma restrita, visando meios acadêmicos, especialmente para pesquisa. Não ser alardeado com edição de luxo para o grande público…

Bem, o assunto voltou à discussão quando a Geração publicou este anúncio em sua página do Facebook:

Particularmente, considerei de extremo mau gosto. E fica clara a intenção da editora: vender, vender, lucrar e lucrar. Nada contra vender e lucrar, mas penso que há limites para esse apetite.

Mas nem é sobre isso que quero falar. É sobre a enxurrada de contra-argumentos em prol da publicação que usa a falácia do “E a liberdade de expressão?”

Deixa ver se eu consigo expor um ponto-de-vista aqui:

Quando eu, ou qualquer outro colega ou amigo ou o que quer que seja, questiona e/ou critica uma editora por escolher publicar comercialmente o “Minha Luta” não está atacando a liberdade de expressão. Nem fazendo censura (nos padrões convencionais que conhecemos, claro, mas isso é outra discussão).

Estaríamos atentando contra a liberdade de expressão se pedíssemos a proibição e/ou se fôssemos até a editora ou a gráfica e descêssemos o cacete em todo mundo e botássemos o dedo na cara do editor e disséssemos: “Se publicar essa porra, tu morre!” Sabe… isso é atacar a liberdade de expressão (que, aliás, acontecia por aqui há uns anos, caso vocês não saibam). A editora tem liberdade para publicar o livro. E temos liberdade para decidir e dizer que ela é uma escrota, por isso. Que está errado. E faz parte da liberdade, não só de expressão, mas também de boicotar a editora e fazer o que quisermos, desde que não atente contra a editora fisicamente ou contra sua liberdade. Vamos supor que se faça uma campanha enorme para que ninguém compre o livro. A editora coloca no mercado e toma encalhe. Não houve atentado à liberdade de expressão. O leitor expressou sua opinião: “Não vou comprar essa porra!”. Dançou, editora. Liberdade é isso ae… Por isso, não respondo argumentos do tipo: “mas e a liberdade de expressão?” Tá aí, meus queridos. Rolando. A pessoa faz, outra responde. A editora publica, as pessoas criticam. Se você acha que a publicação comercial do livro não tem problema, aí a discussão é outra. Uma opinião contrária à minha (e de muitas pessoas). Eu acho que é prejudicial. Você acha que não. Discordamos nisso. Beleza. Sejamos civilizados nessa discordância. Certeza que ambos os lados têm bons argumentos. Além disso, não demora tanto assim, veremos quem está com a razão. E confesso que espero sinceramente que ela esteja com você! Sério…

•••

Só mais uma suposição:

Digamos que eu trabalhasse na editora. E eles resolvessem publicar o Minha Luta. Eu diria tchau. Pediria demissão, sim. Essa é minha escolha. Como, em todos os anos em que trabalhei em publicidade, sempre deixei claro que, se um cliente produtor de cigarro entrasse por uma porta da agência, eu sairia pela outra. Se a Giz cogitasse publicar o livro, eu tiraria os meus de lá no mesmo dia. Simone sabe disso (não é por isso que ela não quis publicar, é por que é sensata, mesmo…).

Fico feliz em viver em uma época em que tenha liberdade para não vender minha alma…

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Posições

Não é segredo minha opinião sobre Boslonaro e sua família. Nunca escondi meu desapontamento que vem desde que seu nome começou a crescer nas pesquisas eleitorais. E esse descontentamento não é com ele

Redes

Quem acompanha meus perfis nas redes sociais, em especial o Facebook, vai notar algo peculiar. Apaguei meus posts críticos, com exceção de cartuns e ilustrações, e tudo que publiquei antes de 2019. T

Ele mente as pessoas acreditam

Vou contar uma historinha pra vocês. Meu irmão estava em uma loja no centro de São Paulo, vendo armas de pressão. Dessas que atiram uma bolinha metálica. Na mesma loja, vendem armas de verdade. Enquan

  • facebook
  • insta
  • Branca Ícone LinkedIn