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  • walter tierno

Triste irrelevância

Acordei durante a madrugada, assombrado pelo fantasma da irrelevância.

Acontece, de vez em quando.

Sabe aquele momento escroto em que você acorda de algum sonho que não lembra e se pega fazendo um balanço da sua vida? Pensando sobre seu passado e presente, e imaginando se isso tudo que viveu e vive terá algum reflexo relevante no futuro? Pois é. Esse momento escroto. Já teve? Você tenta fazer planos e calcular quanto tempo ainda resta para realizá-los. A conta é imprecisa, claro.

E você se pergunta se o resto das pessoas por aí pensam nisso? Eu me pergunto. Será que elas tentam imaginar o que deixarão para trás quando suas vidas terminarem? Se serão lembradas, se vão se sentir satisfeitas com as vidas que tiveram. Se terão orgulho de terem sido o que foram um poquinho antes do último suspiro. Afinal, um pouco de orgulho talvez alivie o que se deve sentir naquele átimo de segundo, quando você percebe que está morrendo: medo e solidão.

Será que as pessoas por aí também têm medo da morte além da morte? Do nada. Do esquecimento absoluto. Do mundo que continua a existir depois delas e as ignora, como apenas mais uma peça que não tem mais utilidade, que não ocupa mais espaço.

Será que as pessoas por aí também têm medo do legado frágil, que vira um nada junto com ela?

O legado é o que temos de mais próximo da imortalidade. Ou, pelo menos, de uma existência além da nossa. Da transcedência. Um ato, um fato, uma obra. Qualquer coisa que tenha relevância para o mundo ao ponto de ser persevado.

Seremos bilhões de indivíduos lutando contra a mortalidade tentando ser relevantes? Cada um de nós?

Esse tipo de pergunta me faz acordar durante a madrugada.

Não sempre.

Às vezes, para aquietar essas perguntas difíceis, pego um livro para ler, um caderno para desenhar, uma folha para escrever. Hoje, resolvi fazer essas perguntas no meu blog. Quem sabe descubro mais pessoas que pensam isso? Já seria uma forma de sermos um pouqinho menos irrelevantes. Mesmo que estas palavras não sobrevivam às nossas vidas. Pelo menos, podemos nos enganar um pouquinho e aliviar um pouco da solidão.

E da irrelevância. Mesmo que tudo seja apenas ilusão.

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