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  • walter tierno

Uma história antiga

Não me lembro o ano exato. Algo entre 1992 e 1993. Eu estava na faculdade. Fiz jornalismo na São Judas. O que lembro bem é que fizemos uma greve de alunos para protestar contra o aumento (que consideramos abusivo) das mensalidades. Foram alguns dias de paralização e passeatas.

Foi determinado pela comissão dos alunos que lideravam o movimento, que todos entregassem os carnês para um representante da turma. Eu (e mais alguns) dissemos que não furaríamos a greve, não pagaríamos, mas não entregaríamos os boletos. Não vou dizer o nome do cara que estava encarregado da nossa sala, mas era alguém em quem eu definitivamente não confiava. Vamos chamá-lo de Judinha. Guarde o nome, pois ele voltará no final da história.

A galerinha que representava os alunos reuniu-se com os administradores da universidade. Ficaram mais de hora conversando. Quando voltaram para comunicar o resultado, disseram o seguinte: Que a universidade não concordava em tirar o aumento (essa era a reivindicação principal), mas concordava em dar mais alguns dias para o vencimento. O “líder” do movimento começou seu discurso de perssuasão. Disse que, “para quem investe, sabe que esses dias fazem muita diferença”. Era o tempo da inflação de mais de 80% ao mês e algumas pessoas realmente ganhavam dinheiro em investimentos. Nenhuma daquelas que estavam ali, calro, a imensa maioria de trabalhadores durante o dia e estudantes à noite.

A insatisfação foi geral. Quando os alunos perceberam a leviandade com que foram representados e manipulados por burguesinhos com papo de “investimento”, todo mundo abandonou a greve.

Eu acompanhei o coro que xingou o movimento e continuamos nossa vida de pagadores de mensalidade. Peguei meu boleto e fui pagar.

Lembram do Judinha? Pois é… Ele perdeu os boletos. Disse que alguém tinha quebrado o vidro de seu carro só para roubá-los… Viu por que eu não confiava no cara? O pessoal da minha sala, além do aumento, ainda teve que pagar pela segunda via. A universidade não deu mole não.

Não sei se essa história serve a você de alguma forma.

Para mim, foi marcante.

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