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  • walter tierno

Vendas?

Um pensamento que tive hoje:


Ainda não sou autor de grandes vendas. E não tenho motivo para me envergonhar disso.

Há quem diga que o folclore nacional está em alta e blá, blá, blá… Claro, hoje é mais fácil de convencer um leitor a dar uma chance do que há cinco anos, quando TODO mundo só queria saber de livro de vampiro (rs)… Mas eu ainda encontro muito nariz entortado para meu livro. Pessoas que, só de verem metade da sinopse já desistem, sem nem conferirem um trechinho que seja.

Ok, de boa… Ninguém é obrigado a nada. Não me importo tanto assim nem guardo rancor.

Sério!

Mas digam o que quiserem, a verdade é que “Cira e o Velho” e “Anardeus” (realismo fantástico “soco no estômago”, como diz a Simone, da Giz) não abordam temas que tenham grande apelo de venda, então já estou acostumado à peleja de formiguinha, convencendo os leitores a conhecerem meu trabalho, um por um, um pouquinho por vez.

Tenho orgulho do que faço porque a conquista de leitores que faço é sólida. Tenho certeza de que eles curtem o que e como escrevo.

Sei que existem autores que mentem resultados de vendas. Por que você achou que não? Corruptos e mentirosos existem em todos os lugares, por que não no meio literário?

Provavelmente, pensam que isso atrai mais público. Afinal, dizem, o que vende bem atrai mais compradores. É uma mentira que insistem em contar até que se torne verdade.

Talvez eu pudesse fazer isso. Quem saberia? É a mentira mais fácil. Ninguém consegue confirmar. Nas livrarias? Eles não passam números de vendas a qualquer um. Nas editoras? Acha que uma editora será louca de dizer “Não, nosso autor não vende nada…”? Eles preferem desconversar. Então, se eu disser que já vendi 10.000 exemplares de Cira, quem vai contestar? E como?

Eu poderia fazer issso… Mas não conseguiria dormir se apelasse para essa estratégia. Tenho orgulho de meus escrúpulos. De minha honestidade. É por isso que posso dizer que minha carreira, embora muito modesta, seja sólida.

Nunca menti números de vendas. Ralei uns quatro anos para alcançar o primeiro milhar de vendas de Cira. Foi uma primeira tiragem de 300, duas de 100 e a última foi de 2.000. Dessa, acho que já passou da metade. Provavelmente, no segundo semestre do ano que vem, o livro volte para a gráfica (dessa vez, numa edição maior, rediagramada e com mais conteúdo; talvez, quem sabe, em duas cores…).

Anardeus já saiu com uma tiragem de 2.000. Acho que também já passou da metade em vendas, mas não tenho certeza.

Quer saber? Isso é mais do que a maioria dos autores consegue.Estou na média. Triste isso, não? Mas é a pura verdade.

Claro que luto para superar esses números. Espero conseguir, agora que meu próximo livro “Tatuagem no pé”, sairá pela Verus.

Mas continuarei minha política de honestidade. O público não merece ser enganado. Merece, tão somente, um produto com qualidade, bem escrito e que entregue quais quer que sejam as sensações que possa aproveitar e enriquecer sua vida.

Pensei isso tudo porque, na bienal de 2010, ano de lançamento de Cira, vendi exatos 12 livros. DOZE! Na Bienal inteira. Ontem, na Festa do Livro da USP, no terceiro dia, vendi 13 de Cira (mais uns do Anardeus). Um dia, mais do que a primeira Bienal. A maioria dos autores tem esse desempenho de saída. E desistem. Não desisti. uso esse 12 como um incentivo.

É por isso que hoje, 5 anos depois e diferente de muita gente que começou junto ou mesmo depois de mim, estou aqui. Teimosamente. Honestamente. Principalmente, agradecidamente. Porque é aos poucos leitores que devo agradecer. E espero que, mesmo de forma devagar, peleja de formiguinha, em breve, eu possa agradecer a muitos mais.

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